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terça-feira, 21 de junho de 2011

A F R E S T A

Pela Fresta da infância
.
A Fresta..
lembro me de uma telha quebrada
que pelo meu quarto vazava o universo

nos dias de arco-íris era uma festa
cores reluziam até nas costas das moscas
que voavam pelo quarto com pedaços de céu

por essa fresta penetrava em outros mundos
porque o meu não me cabia
mergulhei profundo na criança assustada
cheia de ilhas solitárias que fui um dia

mudei de casa para um quarto sem fresta
quando podia fazer o que me desse na telha
não fiz...
02
Corte & Costura
<.
Minha mãe algumas noites

descosturava
alguns
pesadelos medonhos

alinhavava meus sonhos...

eu voltava a dormir
em seus cerzidos
contos de fadas
03
Os Olhos do Meu Pai
<
os olhos de meu pai
eram dois capetas verdes oceânicos

olhos de mergulhos em decotes
um olho na carteira outro no gato

olhos de uma esperança doce mas que as vezes
eram pimentas nos olhos da gente

os olhos do meu pai não eram refresco...
04
Guerreiros do Cerol
.céu azul
criança
cores e gritos

.Pipas decapitadas
.desmancham-se
em zumbidos
pássaros de papel
quase kamikazes
guerreiros do vento
divino do vidro
05
Nostalgia Aromáticas
No meu tênis bamba branco eu voava
nas asas da naftalina para escola
o perfume primaveril dos jasmins
nos cabelos da professora. O ruido do giz
nas letras, números, lousa, horas...

O lanche ás pressas no recreio das lancheiras
o aroma verde e doce dos pés de frutas; carambola
jaca, manga, pitanga, pitomba, frutas- bolas
o perfume das bananas no ventre das bananeiras.

O cheiro bom de quintal da chuva no barro
no mato capim-açú, o gosto de segunda- feira
do banho domando o rio, da farda branca e azul.

Nada finito cabia em nossos sonhos, sonhávamos
os sonhos perfumados. Da infância ainda guardo
nos olhos represados fragrâncias do passado.
06
Memórias
Hoje me falta o natal
com as tintas da infância
para pincelar os meus sonhos

meu desejo era pendurado
numa arvore para compor a fantasia
iluminado pelas estrelas
amanhecia concreto para minha alegria

porque natal
era tão simples e colorido
naqueles dias...
07
Borboletas e Mariposas
<
a mãe uma borboleta
nem flor nem pássaro
uma borboleta

o pai era um sorriso
embriagado dos perfumes
das mariposas

as mariposas uma nuvem de putas
que se equilibrava sobre a aura
de nossa casa

a casa ora a oração da mãe
ora os perfumes das putas do pai

eu era invisível
como o ódio da mãe
e o sorriso perfumado do pai
um dia a casa ruiu
sob um forte temporal
vi minha mãe partir em silêncio
08
Oração da Fome
Mal cabe na janela
a lua cheia de vigor
se a cidade doente
vomita ócio e ódio

Mal cabe na janela
essa lua marasma
solidão de olhares vazio
de eternos fantasmas

Mal cabe na janela a lua
lambuzada de luz
se aqui as noites são trevas
para os que tem fome

Mal cabe na janela
a lua branca e doce
na esperança de sonhar
com a brandura do pão e água
09
Então é Natal...
uma coca cola
sem gás
o natal dos excluídos
eu gostaria de dizer feliz natal
para todos na rua
mas não posso...
enquanto uma criança
perguntar a sua mãe
se no céu tem pão
meu natal
é negação
10
Lembranças Fatiadas









Mina